Os 7 acordes básicos do violão (e as músicas que eles abrem)
Existe um mito confortável de que tocar violão exige decorar dezenas de acordes. Não exige. Quatro acordes resolvem centenas de músicas, e muita gente toca a vida inteira com oito.
Este artigo é sobre os sete que fazem mais com menos: todos abertos, nenhum com pestana, e escolhidos porque se combinam entre si nas progressões mais usadas da música popular.
Este é um passo do caminho para começar a tocar violão: escolha uma música possível, entenda a cifra e leve cada pequeno avanço para a prática.
Antes dos acordes: como ler um diagrama
O diagrama de acorde é um desenho do braço do violão visto de frente, como se ele estivesse em pé na sua frente.
- As linhas verticais são as cordas. A da esquerda é a mais grossa (6a); a da direita, a mais fina (1a).
- As linhas horizontais são os trastes — aquelas barrinhas de metal.
- Os números dos dedos são: 1 indicador, 2 médio, 3 anelar e 4 mindinho.
- Um ○ acima da corda: toque solta, sem apertar.
- Um ✕ acima da corda: não toque essa corda.
Com essa legenda você já consegue começar a conferir as posições abaixo, corda por corda.
Os sete acordes
Em — o mais fácil de todos
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: 0 2 2 0 0 0
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Em usa dois dedos e várias cordas soltas. Monte a posição com calma e toque cada corda separadamente para verificar o som.
Erro comum: encostar sem querer nas cordas vizinhas e abafá-las.
Am — o primo triste do Em
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: X 0 2 2 1 0
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Três dedos, e a forma é parecida com a do E. Aparece em quase toda música em tom menor, e a troca Em → Am é uma das mais confortáveis que existem.
Erro comum: o dedo que aperta a segunda corda encostar na primeira e abafá-la.
C — o que mais dá trabalho no começo
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: X 3 2 0 1 0
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Três dedos bem espalhados pelo braço. É o primeiro acorde que exige alongamento de verdade, e por isso costuma ser o primeiro a frustrar.
Erro comum: não curvar o suficiente os dedos, e com isso abafar a corda de baixo. A mão precisa ficar em forma de garra, não deitada.
G — o irmão do C
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: 3 2 0 0 0 3
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
G tem digitações comuns com três ou quatro dedos. Nenhuma é universalmente melhor: escolha a que combina com a próxima troca. A forma de quatro dedos pode manter dois dedos na transição para Cadd9, que é diferente do C maior aberto mostrado aqui.
Erro comum: trocar C por Cadd9 sem conferir o arranjo. Aprenda os nomes e as posições como acordes distintos.
D — o compacto
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: X X 0 2 3 2
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Três dedos apertados num espaço pequeno, formando um triângulo. Só se tocam quatro cordas — as duas mais grossas ficam de fora.
Erro comum: tocar as seis cordas. O D com a corda grossa soando fica com um grave que não pertence ao acorde.
A — o da fila
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: X 0 2 2 2 0
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Três dedos lado a lado, na mesma casa. Simples de entender, chato de encaixar no começo porque os três dedos disputam espaço.
Erro comum: os dedos se atropelam e um deles encosta na corda vizinha. Quem tem dedo mais largo pode usar dois dedos em vez de três — funciona.
Dm — o dramático
Cordas: 6 5 4 3 2 1 Casas: X X 0 2 3 1
Da corda mais grossa à mais fina. 0 = solta; X = não tocar. Uma posição aberta possível.
Dm muda a qualidade do acorde de Ré para menor. A posição habitual também pede uma reorganização dos dedos; compare as duas formas com calma.
Erro comum: confundir com o D na pressa da troca. Vale treinar D → Dm isoladamente até a mão saber a diferença sem você pensar.
Por que estes sete, e não outros
Porque eles se combinam. Boa parte da música popular ocidental roda em progressões de quatro acordes, e as combinações mais frequentes saem quase todas desta lista.
G · D · Em · C e Em · C · G · D são duas sequências para experimentar com os acordes desta lista.
Am · F · C · G inclui F, que está fora da lista. Am · Dm · E · Am inclui E maior, também fora destes sete. Esses exemplos mostram possíveis próximos passos, não exercícios que usem somente os acordes apresentados.
F aparece em muitas músicas. Existem posições reduzidas sem pestana; Fmaj7 é outra possibilidade em certos arranjos, mas acrescenta uma nota e não é uma substituição automática.
Como saber se o acorde está soando certo
Esta é a dúvida número um de quem está começando, e ela é difícil justamente porque você está sozinho: não tem ninguém do lado para dizer “está certo”.
O teste que resolve: toque as cordas uma por uma, devagar, de cima para baixo. Cada corda que deveria soar precisa soar limpa e clara. Se alguma sair abafada, surda ou com um chiado metálico, você achou o problema — e sabe exatamente qual dedo ajustar.
Para aprofundar esse passo: Por que meu acorde não sai limpo? 6 causas e como corrigir.
Acorde limpo não é o que soa bonito tocado rápido. É o que soa limpo tocado corda por corda.
Os três erros que abafam qualquer acorde
1. Dedo deitado em vez de curvado. A ponta do dedo é que aperta a corda. Se o dedo estiver deitado, a lateral dele encosta na corda vizinha e mata o som dela.
2. Dedo longe do traste. Aperte logo atrás da barrinha de metal, não no meio da casa. Longe do traste, você precisa de muito mais força — e ainda assim chia.
3. Polegar no lugar errado. Ele deve ficar atrás do braço, mais ou menos no meio, fazendo contrapeso. Se ele estiver por cima do braço, seus outros dedos perdem alcance e curvatura.
Quanto tempo leva para os sete ficarem automáticos
Depende menos de talento e mais de frequência. Quinze a vinte minutos por dia, todos os dias, rende muito mais que duas horas concentradas no domingo — porque acorde é hábito motor, e hábito se constrói por repetição espaçada.
O tempo varia. Primeiro, busque montar cada posição sem tensão excessiva. Depois, pratique a passagem entre dois acordes. Montar e trocar no tempo da música são etapas diferentes.
Para aprofundar esse passo: Como trocar de acorde mais rápido (e medir se está melhorando).
Perguntas rápidas
Preciso decorar os sete antes de tocar uma música?
Não. Aprenda os acordes que a sua música pede. É mais rápido, mais útil e infinitamente menos chato.
Meus dedos doem. Devo continuar?
Não use dor como meta de treino. Faça uma pausa, reduza a pressão e confira a postura e a regulagem do instrumento. Se a dor persistir, procure orientação profissional antes de insistir.
Tenho a mão pequena. Isso atrapalha?
Atrapalha menos do que parece. Ajuste o polegar e a curvatura antes de concluir que o problema é o tamanho.
Aço ou nylon para começar?
Nylon é mais macio no dedo; aço soa mais brilhante e é o som de boa parte do pop e do rock. Comece com o que você tem — nenhum dos dois te impede de aprender.
Comece pela música que você consegue tocar hoje.
No guia completo de violão para iniciantes você encontra o caminho inteiro. Para praticar com uma sequência de aulas, conheça o minicurso gratuito.